Milton Hatoum na ABL: um momento histórico para a literatura brasileira

Nesta sexta-feira, dia 24 de abril de 2026, tomou posse na Academia Brasileira de Letras o novo imortal Milton Hatoum, escritor amazonense, premiado e com suas obras adaptadas para TV e cinema.

A cerimônia reuniu grandes nomes da cultura brasileira e reafirmou o papel da literatura como uma das expressões mais potentes da nossa identidade.

A cerimônia de posse: tradição e simbolismo

Hatoum recebeu o colar (medalha simbólica entregue aos novos membros) da acadêmica Rosiska Darcy e o diploma da acadêmica Lilia Moritz Schwarcz; a espada foi entregue por Arnaldo Niskier.

A comissão de entrada foi formada pelos acadêmicos Antonio Carlos Secchin, Domício Proença Filho e Eduardo Giannetti; a comissão de saída, pelos acadêmicos Arno Wehling, Ana Maria Gonçalves e Gilberto Gil.

Um encontro que, por si só, já traduz a força simbólica da Academia e a relevância do novo imortal para a cultura brasileira.

O discurso de Milton Hatoum: entre realidade e imaginação

Em seu discurso de posse, ele disse:

"Não vivemos apenas no real; vivemos também no imaginário, nos sonhos, na literatura, nas artes, no teatro, essa arte viva, na experiência mística. Vivemos também no devaneio. A humanidade não pode suportar tanta realidade, como diz o famoso poema de T. S. Eliot.

Um dos meus devaneios é imaginar um punhado de leitores anotando os mesmos trechos de um livro", destaca Hatoum. "Isso acontece nas manhãs nada inspiradas, em que busco alguns livros e frases sublinhadas; imagino leitores sublinhando as mesmas passagens do romance A Hora da Estrela, os mesmos versos de um poema de João Cabral de Melo Neto, com esta frase de um conto de Guimarães Rosa: 'Só sabemos de nós mesmos com muita confusão'."